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Fala, pessoal! Estou aqui mais uma vez para falar sobre narrativa. Dessa vez em relação ao realismo das descrições de combate em RPGs. Claro que existem várias questões importantes sobre este tema, de forma que, neste post, irei tratar apenas sobre os equipamentos e técnicas de combate, deixando os outros aspectos para artigos futuros. Não irei entrar em grandes detalhes, pois meu objetivo com esta série de textos é apenas dar algumas ideias, na esperança de que estas venham a ser úteis em suas aventuras. Sendo assim, sem mais delongas, vamos ao assunto!

Que combates fazem partes dos RPGs é conhecimento comum, entretanto, a forma como estes são trabalhados acaba, muitas vezes, por desapontar em alguns pontos. Os aspectos que pretendo abordar, ao longo desta pequena série de artigos, não se tratam de regras a serem seguidas caso você pretenda ser um bom mestre ou coisa do tipo; são apenas reflexões que podem tornar mais interessante o combate dentro da história do jogo.

O primeiro desses aspectos é, como já mencionado, o realismo em relação aos equipamentos e técnicas de combate. Muitas vezes, e principalmente em cenários de fantasia medieval, alguns elementos são tratados de um modo que não condiz em nada com a realidade. Clássico exemplo disso seriam os usos de armaduras, como normalmente são descritas as cenas de confronto. Não raro um personagem, usando uma espada comum, golpeia o flanco de um oponente vestindo uma armadura de placas e, por mais improvável que isso seja, causa dano.

Tal descrição, de um ponto de vista realista, está incorreta, uma vez que nenhuma espada comum seria capaz de causar dano ao golpear o flanco de uma armadura de placas. Mas como essa cena deveria ser descrita então, se pretendêssemos torna-la mais realista? Simples: uma armadura, apesar de toda a sua defesa, ainda possui seus pontos fracos; e são estes que podem ser explorados na descrição. Por exemplo, se o personagem A (com a espada) utilizasse uma técnica chamada ‘’half-swording’’, e com isso conseguisse encontrar uma brecha e estocar a abertura sob a axila da armadura, seria uma forma mais realista de descrever o dano sofrido pelo personagem B (de armadura).

Isso em não significa que é preciso retirar a fantasia da narrativa ou mesmo que todo combate deveria ser completamente centrado na realidade. Situações extraordinárias são passíveis de ocorrer e, em um cenário de fantasia, armas mágicas ou personagens específicos podem ter a capacidade de praticamente (ou mesmo completamente) ignorar uma armadura. O ponto aqui é que, considerando itens e técnicas comuns, é interessante tomar um pouco mais de cuidado ao descrever a cena, pois se qualquer espada pudesse cortar através de uma armadura pesada de metal, ninguém se daria ao trabalho de vestir uma dessas.

A dica mais básica para como proceder ao pensar sobre estas relações entre equipamentos e técnicas durante um combate é: pergunte-se ‘’para que isto serve?’’ e ‘’como isto funciona?’’ e, a partir das respostas, decida se faz mais sentido descrever de uma ou outra forma. Além disso, um pouco de pesquisa sobre equipamentos e técnicas reais poderia ajudar, considerando que nem sempre tudo é completamente intuitivo.

Por fim, lembre-se sempre de manter o bom senso, pois o foco do RPG deve sempre ser a diversão durante a partida. Mesmo que tais cuidados com uma descrição mais realista possam tornar os combates um pouco mais interessantes e desafiadores, saiba dosar isso na medida em que seu grupo acha divertido.

Por fim, espero que tenham gostado deste primeiro artigo e que ele possa servir de inspiração para suas aventuras, independente de cenário. Em posts futuros abordarei outros aspectos relacionados ao combate, como o drama do mesmo e formas de usá-lo como recurso narrativo, bem como alguns comportamentos de personagens envolvidos em situações de conflito. Sendo assim, fiquem atentos ao site para conferir as novidades e até a próxima!

Bibiano
A narrativa constrói a realidade.

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