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A iluminação era parca. Seam Thull Kegni mantinha a sua lanterna coberta por um pano preto translucido – um antigo truque que aprendera com um ladrão, em seu tempo de aventureiro, eras atrás.
 
Sim, ele era um mago – “O maior necromante que já existiu”, segundo ele próprio – mas não só de magias se vive. Claro, essa profissão exige, por definição, que o individuo seja capaz de conjurar os mais variados encantamentos, entretanto, a maior arma do arcanista é a sua mente; e esta deve estar sempre afiada como uma navalha, mesmo quando os encantos falham… Principalmente quando os encantos falham.
 
E nessa missão, o necromante necessitava de toda sua perspicácia, pois apenas suas magias, por mais poderosas que fossem, não seriam capazes de mantê-lo vivo caso falhasse. De todos os itens acumulados em sua coleção, nenhum era, nem de longe, tão poderoso quanto o artefato do qual Kegni almejava se apoderar e nenhum guardião seria tão terrível quanto aquele que o necromante estava destinado a enfrentar. Mas Kegni estava confiante, ou tanto quanto poderia fingir para si mesmo.
 
Avançava lentamente pelos largos corredores de pedra enegrecida. O cheiro pútrido oriundo do pântano, sob o qual o castelo encontrava-se submerso, e o mofo acumulado nos restos podres de mobília dificultavam a respiração. O silêncio era quebrado apenas pelo som dos passos do necromante, que ecoavam pelas paredes úmidas, e pelas batidas de seu coração.
 
A escuridão, o silêncio e o fedor do local eram perturbadores mesmo para um mago que lida com os mortos e está acostumado a este tipo de ambiente. Mas estas eram impressões mundanas demais, comparadas ao sentimento de terror absoluto experienciado por Kegni. Um horror ancestral, como se a própria morte exercesse toda sua pressão sobre a existência, fazia com que o necromante avançasse cada vez mais lentamente. Ele esperava estar preparado, mas era como se uma montanha de puro pavor houvesse sido colocada sobre seus ombros, sobre sua mente… Sobre seu ser.
 
Quanto mais próximo do fim do corredor, maior essa aura aterrorizante se tornava e a confiança do mago, antes tão grande, logo se transformou em apenas esperança; para então, mesmo esta, definhar na dúvida e findar apenas na certeza da insignificância. Ao parar em frente às grandes portas, que davam para o salão onde se encontrava seu objetivo final, era necessário concentrar toda a sua força de vontade apenas para impedir as pernas de tremerem.
 
Murmurando um rápido encantamento para ampliar seu poder, ele empurrou as portas, que se abriram para um enorme salão abarrotado de moedas de ouro, prata e outros itens. Corpos apodrecidos e esqueletos jaziam, misturados ao tesouro, como se a imundície fosse parte do mesmo.
 
No centro, sobre uma pilha de objetos, encontrava-se a mais terrível criatura que Kegni já vira. Um corpo colossal, com escamas negras refletindo a fraca luz da lanterna coberta do mago e o brilho das moedas; grandes asas com membranas finas, que o faziam lembrar um morcego gigante. Uma cabeça descomunal, com chifres segmentados, que se curvam para frente e para baixo, virou-se na para encarar intruso. A pele fina, as aberturas nasais largas e órbitas fundas concediam uma aparência cadavérica para a criatura.
 
O dragão negro abriu a boca e o cheiro era de podridão, como se milhares de carcaças houvessem acumulado ao longo de séculos sob um manto e tivessem sido subitamente desveladas; e o que a voz cavernosa pronunciou, em linguagem dracônica, era um encantamento. A besta não demonstrava interesse em saber o que aquele mero mortal fazia em seu covil; apenas parecia ansiosa em jantar o convidado indesejado.
 
O necromante mal teve tempo de lançar um feitiço de proteção em si mesmo, enquanto uma onda de energia negativa acertava seu corpo, fazendo-o estremecer. Não fosse sua magia, certamente estaria morto, e a percepção desse fato pareceu motiva-lo a não perder tempo e agir.
 
Seam Thull Kegni começou a correr, tentando contornar o dragão e chegar ao estrado, do outro lado da sala, onde se encontrava uma espécie de pequeno altar. Mas foi bloqueado pelo estrondo de uma enorme cauda recoberta de escamas negras e pontas ósseas, escapando por pouco de ser esmagado completamente enquanto o dragão alçava voo para o teto abobadado do salão.
 
Ao mesmo tempo, os cadáveres espalhados pelo recinto começavam a se levantar, ao passo que a criatura entoava alguma sorte de cântico maligno, misturando a língua dracônica com um idioma infernal, de algum reino de pesadelos.
 
O mago tomou alguns segundos, enquanto corria e se desviava de pilhas de objetos e corpos que tentavam lhe atacar, para conjurar sobre si um feitiço capaz de repelir os mortos-vivos. Tão logo completo o encanto, as criaturas que tentavam se aproximar pareciam ser empurradas por alguma espécie de parede ou barreira invisível.
 
Então era a hora do contra-ataque, decidiu Kegni, fincando os pés fixos no chão e concentrando-se em canalizar sua energia mágica. Enquanto movia os braços, mãos e dedos em padrões complexos e recitava as palavras arcanas, sombras dançavam, como seda, envolvendo as mãos do mago, quase dando a impressão de manoplas sobrenaturais; ao mesmo tempo em que o dragão se preparava para vomitar uma nova onda de energia negativa sobre seu oponente.
 
O necromante sabia que a magia que estava prestes a lançar seria o ato mais maligno da sua vida não muito virtuosa, pois nem mesmo o mais terrível dos inimigos merece receber um fim tão doloroso quanto ter todos seus ossos partidos ao mesmo tempo. Mas era a sua única chance; a única esperança que ele tinha para derrotar a criatura que estava prestes a mata-lo por invadir seu território. Então, pouco antes da besta lançar seu ataque, uma onda de sombras desprendeu-se das mãos do feiticeiro em direção ao dragão; atingindo e envolvendo seu corpo.
 
O monstro parou no ar, surpreso, por alguns segundos; então despencou ao chão, fazendo tudo tremer e espalhando moedas, taças, mortos-vivos e outros objetos, enquanto se debatia. Podia-se ouvir o som de ossos rachando, enquanto o dragão lutava para sustentar seu peso.
 
Não obstante, Seam Thull Kegni percebeu que a criatura conseguira resistir ao seu feitiço, e era apenas questão de tempo para que recobrasse sua força e voltasse a atacar-lhe com ainda mais raiva. Aquele não era um dragão negro comum, que talvez pudesse ser destruído com mais facilidade; aquele era Nerulldaraak, um dos mais antigos de sua raça e, Kegni sabia, esta criatura era conhecedora de segredos inimagináveis sobre a necromancia… Afinal, fora isso que levara o mago até ali.
 
Aproveitando o tempo conseguido a custo, o ele correu para o pequeno altar ao fim do salão, sobre o qual repousava um livro. Uma capa negra, repleta de símbolos de poder; as paginas feitas de um material que lembrava pele humana. O mais antigo e mais poderoso grimório de necromancia já encontrado em Arton estava apoiado por mãos cadavéricas, das quais Seam Thull Kegni o tirou.
 
No momento em que se apossou do tomo, houve um grande estrondo às suas costas e, ao virar-se, o mago viu Nerulldaraak acabando de levantar-se. A criatura virou-se em sua direção e preparava-se para despejar toda a fúria ancestral sobre o feiticeiro já esgotado; enquanto este buscava, em um bolso de sua capa, pelo objeto que o permitira adentrar o covil do dragão… E que agora era sua ultima esperança de fuga.
 
Uma chave – aproximadamente do tamanho de uma adaga – banhada a ouro e cravejada de joias, com sulcos formando padrões arcanos entre as pedras. A extremidade formava uma espécie de lamina, onde deveriam estar os dentes da chave, lembrando uma ponta de arpão extremamente afiada. Havia um espaço circular nessa lamina, no qual Seam Thull Kegni encaixou uma estranha gema purpúrea, que também tirara do bolso.
 
Com um ultimo vislumbre, o feiticeiro, já sem energia para conjurar mais magias, enxergou o sopro final da criatura vindo em sua direção. Tal sopro teria sido fatal, se o efeito da chave não funcionasse na hora exata, fazendo o mago desaparecer, deixando o dragão negro urrando de raiva e frustração. Seam Thull Kegni havia voltado para o seu refugio, em segurança, com a chave dos reinos e o grimório de Nerulldaraak.
 
 
Chave dos Reinos
 
Assemelha-se a uma chave, porém com quase o tamanho de uma adaga, banhada a ouro e com detalhes em joias. A extremidade, em vez dos clássicos dentes, possui uma lâmina muito afiada e um espaço para encaixar uma gema. Seu maior poder é o de abrir e fechar os caminhos para os locais.
 
Esta arma é uma Adaga de Adamante, Obra-Prima, Banhada a Ouro, Cravejada de Joias e Precisa. Ela pode ser utilizada para lançar as magias Teletransporte Maior OU Portal uma vez ao dia.
 
Ao sacrificar uma criatura endêmica do plano, reino ou localidade, pode-se utilizar viajar para tal local; OU impedir que outros adentrem o local por 1d8 horas. Com um ritual maior, o sacrifício permite transportar todas as criaturas próximas (9m); OU além de bloquear fisicamente o local, ocultando quem está lá e impedindo magias de detecção e adivinhação de funcionarem através de barreira.
 
O sacrifício rápido, basta abater a criatura em questão com o item. No caso do ritual, deve-se desenhar círculos arcanos, velas mágicas e entoar alguns cânticos (1 min, caso tudo já esteja preparado), consome 250 TO em materiais.
 
Aura Poderosa.
Admin Supremo
Um webmaster lvl épico.

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