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O paladino caminhava lentamente; os passos firmes acompanhados pelo tilintar da armadura. Os aldeões haviam reconhecido o símbolo de Khalmyr no peitoral de sua armadura e clamaram por auxilio.

Um demônio estava assolando a vila, diziam eles. Aparentemente, a criatura havia instaurado-se no moinho há algumas semanas e vinha atormentando todos que ousassem aproximar-se. Mesmo que as restrições de sua ordem não o proibissem de negar socorro, o paladino não poderia ignorar a situação e agora, portanto, caminhava pesadamente em direção ao local indicado.

Ao aproximar-se, área, o guerreiro sagrado já foi capaz de sentir a aura maligna da criatura e, ao adentrar a cerca que circundava a construção, ela surgiu no meio da estrada, como se estivesse ali o tempo todo.

Era um ser baixinho, semelhante a uma criança de pele cinzenta, com uma barriga proeminente e vestindo apenas uma bermuda escarlate. A criatura saudou o paladino com uma leve mesura e um sorriso cheio de dentes pontiagudos, dizendo:

– Ora, mas o que temos aqui!? Um servo de Khalmyr… Seja muito bem vindo a minha humilde propriedade  provisória. Eu me chamo Khyarroppath. Em que posso ajudá-lo, senhor…?

– Meu nome de nada importa para criaturas da sua laia; e esta propriedade tampouco lhe pertence, demônio!

– Mas o senhor engana-se. Nomes são importantes; sim, muito importantes. E quanto ao moinho, ninguém aqui se encontrava quando cheguei. – Disse o demônio enquanto dançava de um lado para o outro.

– Você tem atormentado qualquer um que se aproxima desta área. E, independentemente, não pode tomar algo que não é seu. – Respondeu o paladino; a voz carregada de desprezo.

– Certamente não pode me culpar por seguir minha natureza. Não seria justo, servo do deus da justiça. Ademais, apenas estou aqui por necessidade. Fui covardemente atacado; sem motivo e pelas costas, o que me forçou a fugir e procurar abrigo. – Falou  a criatura enquanto virava-se para revelar um corte profundo em suas costas. A ferida estava coberta por sangue negro coagulado e pequenos vermes rastejavam por suas bordas, como que devorando a carne morta.

– Não me venha falar em justiça; uma criatura que vive para mentir e enganar não sabe o que isso significa de verdade. E mesmo que eu acreditasse na sua história, você não pode ocupar propriedade alheia sem permissão. Então devo tirá-lo pela força, se não sairá por vontade própria. – Posto isso, o paladino avançou em direção ao diabo, que recuou aos pulos, falando:

– Espere! Espere! Em nenhum momento eu falei que não sairia. O senhor engana-se ao pensar que, apenas por minha espécie ser dissimulada por natureza, eu não saiba o que é justiça; nós também temos nosso próprio conceito do que é justo. Quanto a deixar esta propriedade, eu preferiria não fazê-lo, mas talvez possamos chegar a um acordo… – Disse a criatura, torcendo as mãos.

– Não negocio com demônios! – bufou o guerreiro, avançando mais alguns passos.

– Ora, pelo menos escute o que tenho a dizer e, se não for de seu agrado, sinta-se livre para atacar uma pobre criatura desarmada e ferida. – Choramingou o ser cinzento e, ao ver que o paladino havia interrompido o seu avanço, apressou-se em continuar. – O senhor parece determinado em derramar sangue para encerrar esta questão; então façamos assim: eu derramo um pouco do seu sangue e parto imediatamente deste lugar.

– E o que faria com o meu sangue, criatura? – Cuspiu o paladino.

– Absolutamente nada. Apenas farei um corte em sua mão e você poderá informar os aldeões que o moinho deles está livre. O que me diz? É um preço bem baixo a se pagar; simbólico, até, eu diria.

– Apenas isto? Tudo o que me fará será um corte na mão e irá embora? – Perguntou o guerreiro e, ao ver o diabo assentir, levou a mão à lamina da espada, dizendo: – Tudo bem, que assim seja então. – Mas, antes que pudesse produzir o corte, foi interrompido pela criatura.

– Espere! O sangue deve ser derramado por mim, para que o contrato seja firmado. – E, dizendo isso, fez surgir no ar uma faca incomum, que pegou com sua mão de dedos finos e longos, terminados em garras.

A faca parecia ter três lâminas e, ao mesmo tempo, uma apenas. Havia uma lâmina reta e esguia projetando-se do cabo, enquanto outras duas projetavam-se ao lado desta. As lâminas laterais enroscavam-se a primeira em padrões circulares, formando, assim, uma unica lâmina larga a partir da junção de todas.

Com essa faca, o demônio produziu um corte profundo e limpo na palma da mão do paladino. Nada aconteceu, a princípio; então o guerreiro sentiu o mundo girar e tudo o que ouviu, antes de apagar, foram as gargalhadas estridentes da criatura.

O paladino acordou algumas horas mais tarde; procurou o pequeno ser cinzento e, ao não encontrá-lo, nem sentir sua presença, informou aos aldeões que o trabalho havia sido concluído.

Com isto feito, seguiu viagem. O demônio cumprira sua palavra, mas algo não estava certo. O paladino podia sentir que havia sido enganado; sentia que seus poderes estavam mais fracos. Ele enfaixara a mão ferida por aquela estranha arma, pois parecia que suas bençãos de cura eram ineficazes. Algo estava errado.

E assim o paladino viajava. Quanto mais o tempo passava, pior sua condição tornava-se. Suas curas e bençãos estavam cada vez mais fracas e, ao segundo dia, o guerreiro santo começou a sentir duvidas quanto a sua devoção; algo que nunca lhe ocorrera antes. Ele sabia que aquele diabo havia enganado-lhe e que precisava fazer algo a respeito. Mas nada havia para ser feito.

Ao terceiro dia, a ferida infeccionou; pus começara a escorrer junto com sangue do corte na mão. No quarto dia, ele foi acometido por uma febre agoniante. Mal conseguindo andar, o guerreiro cambaleava e tropeçava pela estrada.

Ao quinto dia, ainda não havia melhorado; sentia seus poderes esvaírem-se cada vez mais à medida em que a duvida crescia. Por que seu deus não o estava ajudando?

O sexto e o sétimo dia foram os piores; a febre estava tão forte que apenas arduamente era possível manter-se acordado. Sua fé já havia esvaído-se completamente e, com ela, seus poderes.

O ex-paladino sentia raiva de si mesmo; ele permitira-se enganar e jurava nunca mais deixar isto ocorrer novamente. Khalmyr enganara-o; abandonara-o. A ele, que havia sido devoto desde que se entendia por gente. Mas não mais; era hora de dar um basta nesta vida de seguir um deus injusto como Khalmyr.

Sendo assim, o antigo guerreiro reuniu todas as forças que lhe restavam e arrastou-se pela estrada, até chegar à vila mais próxima. La estabeleceu-se e seguiu as receitas do herbolário local, para dar fim à febre e à infecção.

Um mês se passou até o antigo aventureiro estar completamente curado. Nesse meio tempo, ele começara a trabalhar como fazendeiro e estava feliz com a nova profissão. Percebera seu erro e, jurando nunca mais devotar-se a nenhum deus, decidiu aproveitar ao máximo sua nova e simples vida. Afinal, o que é a fé?

 

A Expurgadora da Fé

Esta adaga é forjada por uma casta de diabos conhecidos como ”Expurgadores”. Tal arma consiste de 3 lâminas esguias, que se entrelaçam de modo a formar uma unica lâmina larga.

Adaga profana magistral cruel de adamante.

Ataque: +2

Dano: 1d6+2

Crítico: 19-20/x2

Especial: 1d6 de CON, causa +2d6 em criaturas bondosas. Quando empunhada por seres bondosos, eles recebem Nv -1.

Sangramento: Cada acerto da arma causa, além do dano normal, 1d6 ponto de dano de Constituição. Este dano não é multiplicado em caso de acerto crítico. Criaturas imunes a acertos críticos também são imunes ao dano de Constituição.
Dissipar Fé: Todo alvo da Expurgadora da Fé passa, após um tempo, a questionar suas crenças divinas. A cada dia, o alvo tem que fazer um teste de VON (CD 5 + dano de CON recebido) ou vai perder gradativamente sua devoção em algum deus (níveis de conjurador divino). Esse efeito dura 12 dias, a cada falha, um nível de conjurador divino é convertido em um nível de plebeu, se não houver mais níveis a serem convertidos, perde-se a fé totalmente (inutilizando o talento Devoto).
Se um conjurador divino passar pelos 12 dias e manter a fé, pode recuperar os níveis a taxa de 1 nível por mês. Porém, se perder totalmente a fé (todos os níveis e o talento Devoto), você nunca mais poderá retornar como uma classe conjuradora divina da mesma divindade (e possivelmente de nenhuma outra), mas com esforço e treino é capaz de trocar os níveis de plebeu por outras classes. Esse efeito só pode ser revertido com a magia Desejo.
Abençoados e Usurpadores passam pelo mesmo efeito, porém não podem perder níveis ou capacidade de lançar magias, pois esta não está ligada a fé em algum deus.
Em casos muito especiais (se estiver usando a regra de favor divino, 12 pontos são suficientes para gerar esse efeito) os deuses podem conceder uma última bênção sobre o infeliz que perdera toda a fé, concedendo-lhe sangue mágico, tornando o ex-devoto um feiticeiro (linhagem dracônica, caótica, celestial, demoníaca, diabólica, ofídica ou ordeira são as mais comuns) ou um abençoado.
Questionar Fé: Todo dano causado por esse item não pode ser curado por intervenção de magia divina (somente Milagre funciona). Apenas meios arcanos ou físicos podem fazê-lo.
Aura Moderada; Criar Obra-Prima, Criar Armas e Armaduras Mágicas, Mestre Armeiro, Médico Nato, Dissipar Magia Maior. Preço: 73.800 TO.

 

Bibiano
A narrativa constrói a realidade.

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