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 O vilarejo sob o deserto, como é conhecido, trata-se de um refúgio para aqueles que vagam pelas imensidões das areias em longas caravanas de comércio, ou apenas pelo prazer de aventurar-se. No entanto, esta cidade não tem nada de pacata. Seus arredores são repletos de salteadores que tentam se aproveitar de viajantes incautos e tirar-lhes seus pertences. A mera entrada da cidade é, por assim dizer, “excêntrica” e trata-se de um poço de areia movediça, que a primeira vista parece comum, mas mostra-se, na verdade, como uma passagem de entrada para a cidade, dificultando e escondendo a mesma daqueles que não são bem vindos.
A Cidade
Praticamente toda a cidade é construída com uma espécie de arenito fortalecido magicamente; a iluminação também é mágica e provem de milhares de tochas que nunca se apagam, espalhadas por todo o interior da cidade subterrânea. As ruas repletas de pessoas apressadas em seus afazeres contrastam com o vazio do deserto logo acima. No meio do corre-corre diário notam-se diversos guardas, estes, sem exceção, apresentam o corpo modificado de alguma forma: seja um olho, mão, braço ou perna. Cada qual possui uma característica insetóide, claramente implantada magicamente; esta característica por sua vez lhe concede um bônus dependendo do órgão implantado.O comércio é intenso na cidade. Caixeiros viajantes oferecem seus produtos do “mundo de cima” aos nativos, que os compram com fervor. Há também iguarias e produtos que são apenas encontrados ou cultivados nas profundezas da cidade e estes são adquiridos por forasteiros com curiosidade ou até mesmo assombro. O comércio alimentício é o predominante, mas ainda há espaço para a venda de armas e armaduras, produtos alquímicos em menor escala e, com certeza, a venda de animais exóticos e escravos para uso na arena.
A Arena
O comércio é, com certeza, uma das mais importantes atividades da cidade sob o deserto. No entanto, nada se compara a uma bela luta entre um gorila gigante de quatro braços, nativo das ilhas da caveira, e uma serpente pythonesa. Ou então um verme do deserto contra um dragão azul adulto. Ou ainda um mero humano contra todos estes monstros… por que não? A arena movimenta, todos os dias, toneladas de ouro. É um lugar onde todos podem ficar ricos (ou pobres) do dia para a noite. Um mendigo pode dar um lance de sorte e se tornar milionário; um rico comerciante pode acabar ouvindo o conselho de um bêbado e perder toda a sua fortuna em uma aposta insana. De uma forma ou de outra, se você está na cidade sob o deserto, você vai acabar na arena. Seja para assistir um belo espetáculo e tentar a sorte nas apostas, seja para enfrentar estes monstros você mesmo em busca de fama e ouro (ou por falta de opção).
            Fisicamente falando, a arena é um prédio grande, em formato circular e com várias arquibancadas. Nas partes mais altas da arena ficam as áreas VIP, reservadas para os nobres e comerciantes mais abastados e, bem no centro da arena, sobre a área onde os lutadores se digladiam, fica o cômodo mais nobre de todos: O local onde o comandante e líder da cidade aparece, vez ou outra, para prestigiar ou promover os jogos. O chão deste camarote é feito de um vidro reforçado e mágico, que da uma visão panorâmica de tudo o que acontece abaixo, como se os guerreiros estivessem lutando dentro do próprio cômodo.
           Logo abaixo da arena, apesar desta ser funda o suficiente pra um verme do deserto adulto mergulhar sob ela,ficam as celas onde são trancafiados os monstros e os “bravos guerreiros” . Na maioria das vezes os escravos são, na verdade, aventureiros capturados no deserto e trazidos para lutar. Quando sobrevivem (o que é raro), muitas vezes são comprados por comerciantes ricos ou membros da nobreza, pois trazem muito lucro para seus donos a cada batalha que ganham. Dificilmente o dono do escravo dará liberdade a ele, mas talvez ele possa ser convencido do contrário… se isso for mais lucrativo. No entanto existem casos especiais como, por exemplo, o do grande guerreiro Joshua, Terror dos Vermes. Joshua era um aventureiro que passava pelo deserto junto de seus companheiros, mas eis que o infortúnio caiu sobre sua trupe. Um verme gigante do deserto os pegou desprevenidos, chacinando quase todo seu grupo antes de ser derrotado. No final sobraram apenas Joshua e sua amada Kalíope, esta, mortalmente ferida.
         Joshua pegou sua amada nos braços e a reconfortou enquanto a vida fugia de seu corpo exausto para, por fim, desmaiar ao lado do cadáver de sua querida. Quando despertou estava em uma cela fétida e embolorada, preso por grilhões nos braços e pernas. Endurecido pela dor e sem um propósito, Joshua vivia apenas para matar seu próximo adversário. Logo sua história ficou conhecida pelos frequentadores da arena e os bardos começaram a compor baladas sobre sua tragédia e seu destemor ante a face da morte. Donzelas choravam pela sua tristeza e grandes guerreiros admiravam sua bravura e técnica de combate. Sua fama ficou tão grande que acabou atraindo a atenção do próprio comandante da cidade: Rhex, o Ferrão Negro.
        Rhex apareceu na arena em um festival, cujo ápice seria uma luta de Joshua contra nada menos que três vermes do deserto adultos. O festival transcorreu e a excitação do povo só fazia aumentar, por conta da presença de seu governante e pelo espetáculo que estava por vir. A luta final foi anunciada e Joshua entrou na arena, sob aclamações e aplausos incessantes do público, dizem que o próprio Rhex o aplaudiu. Logo as bestas foram soltas na arena: três vermes gigantescos, cuspindo ácido e mergulhando em volta do guerreiro solitário. Joshua habilmente esquivava dos golpes das criaturas, o ódio e a repugnância estampados na cara. Em poucos minutos o primeiro verme jazia ao chão, feito em pedaços pela lâmina do guerreiro, o segundo teve o mesmo destino, já o terceiro o guerreiro escalou com as próprias mãos e, ao chegar no topo de sua cabeça, cravou a espada no crânio gelatinoso da criatura, ganhando controle sobre ela. Fez a criatura desfilar pela arena em exibição para a plateia que uivava de júbilo. Quando o verme, então, morreu a plateia dava pulos e urrava pedindo a liberdade de seu maior herói. Eis que, então, fez-se silencio; Rhex levantou-se e disse, em uma voz rouca magicamente ampliada:
-Sua coragem e bravura são inquestionáveis, Joshua, Terror dos Vermes. A você concederei o mais alto premio. Algo que muitos em minha corte dariam uma mão para conseguir. Conceder-lhe-ei meu respeito, bravo guerreiro, e junto com ele a liberdade e um lugar em meu palácio como líder de minha guarda pessoal, se assim o desejar.
Ante esta declaração o povo, a principio assombrado com a fala de seu governante, gritou e aplaudiu seu herói com entusiasmo renovado. Joshua foi então liberto e, desde então, possui um novo propósito em sua vida: proteger com unhas e dentes seu senhor.
Admin Supremo
Um webmaster lvl épico.

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