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Definir RPG de mesa é difícil. Quando temos que explicar para alguém que não conhece, ou quando lemos uma descrição ou assistimos um vídeo a respeito, é comum dizermos que o RPG é um jogo de imaginação, onde o principal objetivo é a diversão e a interação social entre o grupo de amigos que está jogando. No entanto, nós sabemos que muitas vezes isto não acontece. Muitos jogadores e mestres acabam se “encantando” com as regras, com o quanto de peso o seu personagem consegue carregar com seus impressionantes +5 de força, ou então com quantos idiomas consegue falar com toda a sua inteligência. E por fim, acabam se esquecendo de uma parte essencial de toda a partida de RPG de mesa: o roleplay ou, em bom e claro português, a interpretação.

 

É claro que todos sabemos que as regras são importantes e que na maioria das vezes ajudam a manter a ordem na mesa. Mas quando tanto os jogadores quanto o mestre começam a depender apenas delas e deixam de usar a criatividade e imaginação, o que se percebe é que as sessões ficam cada vez mais chatas e cansativas, levando o que seria um combate simples a algo massivo com horas de duração.

 

Então, apresento abaixo uma maneira mais simples de se jogar este jogo que tanto amamos, e o que com certeza será o pesadelo dos jogadores advogados de regra:

 

A ideia do RPG sem sistema é deixar a partida mais dinâmica e divertida, não é ideal para campanhas longas, mas muito bom para uma partida oneshot. Para que este método funcione, a primeira coisa necessária é que o mestre se imponha e tenha a capacidade de controlar os jogadores, conseguir dizer não é extremamente importante para garantir que a aventura não se torne uma galhofa completa.

 

Criando um personagem:

 

Criar um personagem é uma das partes mais legais, mas muitas vezes mais complicadas do RPG, principalmente quando se é iniciante. Como a ideia é não existir um sistema, também não existem regras que digam como o seu personagem deve ser, de onde ele veio, etc.. E é aí que você deve começar a usar a sua imaginação. Pense em um personagem, pense no que ele é, o que faz, o que ele fazia antes. Ele usa uma espada? Ele usa magias? Converse com o mestre e pergunte se ele pode usar uma espada de duas mãos em uma mão só, porque afinal a vida na forja de seu pai exigia muito de seus músculos que acabaram se desenvolvendo. Imagine, pense, crie. Mas cuidado mestre, sempre vai ter aquele jogador que que vai querer fazer o Goku, e é aí que o poder do não deve entrar.

Rolagens:

Neste “sistema” todas as rolagens de dado são feitas com um d100, ou dado de porcentagem. Quando o jogador ataca por exemplo, ele rola um d100 e então o mestre deve decidir o que acontece dependendo do resultado obtido, ou ainda ele próprio rolar outro d100 contra o jogador para ver se ele consegue ou não. E assim por diante com todos os testes de perícia. Você ainda pode usar uma “regra” opcional em que se o jogador tirar 96 ou mais no d100 ele “abre” o dado, podendo rolá-lo de novo, e assim por diante. Isto pode gerar cenas muito engraçadas e um tanto ridículas e não é sugerido se você quer algo mais sério. Lembrando que a palavra do mestre é sempre decisiva em qualquer situação.

Divirta-se:

Esta é de longe a regra mais importante, e nenhuma das outras acima tem sentido se ela não for seguida. De boas risadas com os seus amigos quando o seu mago elfo os salvar da prisão entortando as barras de ferro maciço com um 100, ou então quebrando os dedos com um 1. Deixe a sua imaginação voar alto, e tenho certeza que você não vai querer voltar para o chão tão cedo.


Eduardo
“É por isso que as histórias nos atraem. Elas nos dão a clareza e a simplicidade que faltam a vida real.”

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